quinta-feira, março 01, 2007

  • Angell
  • O Amor, Quando Se Revela

    O amor, quando se revela,
    Não se sabe revelar.
    Sabe bem olhar p’ra ela,
    Mas não lhe sabe falar.

    Quem quer dizer o que sente

    Não sabe o que há de dizer.
    Fala: parece que mente
    Cala: parece esquecer

    Ah, mas se ela adivinhasse,

    Se pudesse ouvir o olhar,
    E se um olhar lhe bastasse
    Pra saber que a estão a amar!
    Mas quem sente muito, cala;
    Quem quer dizer quanto sente
    Fica sem alma nem fala,
    Fica só, inteiramente!

    Mas se isto puder contar-lhe

    O que não lhe ouso contar,
    Já não terei que falar-lhe
    Porque lhe estou a falar…
    _________________
    Autor: Fernando Pessoa
    _________________

    Palavras tão verdadeiras! Se olhar "Vale mais que mil palavras", porque não é compreendido? Ah, triste sorte a dos apaixonados!

    Pelo menos a Diana Krall fica tão bem aqui neste poema! :)



    6 Comments:

    Blogger Maria said...

    Hello amiga,
    Li algures esta prosa que tão bem define o Amor, o Olhar, a Cumplicidade...

    Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:
    Pois os olhos são os espiões do coração.
    E vão investigando O que agradaria a este possuir.
    E quando entram em pleno acordo.
    E, firmes, os três em um só se harmonizam,
    Nesse instante nasce o amor perfeito,
    nasce daquilo que os olhos tornaram bem-vindo ao coração.
    O amor não pode nascer nem ter início senão
    Por esse movimento originado do pendor natural.
    Pela graça e o comando Dos três, e do prazer deles,
    Nasce o amor, cuja clara esperança
    Segue dando conforto aos seus amigos.
    Pois, como sabem todos os amantes verdadeiro,
    o amor é bondade perfeita,
    Oriunda - ninguém duvida - do coração e dos olhos.
    Os olhos o fazem florescer; o coração o amadurece:
    Amor, fruto da semente pelos três plantada.

    Guiraut de Borneilh

    Beijitos,
    Maria

    11:08 da manhã  
    Blogger wind said...

    Não é por acaso que FP é o Mestre:)
    bjs

    12:28 da tarde  
    Blogger Angell said...

    Maria,
    Que rica prosa! Os olhos, ai os olhos... fazem-nos ver coisas tão lindas... O coração sofre as consequências e nós temos que aguentar!:)

    Quando alguém "mexe" conosco, os sentimentos carinhosos, amorosos afloram e os olhos... esses ficam embevecidos, meigos, carentes para que esse ser veja; e sonhamos que venha a sentir o mesmo por nós! O problema é quando isso não acontece... :)

    A timidez, o receio, o medo de sermos rejeitados, faz-nos calar o que queriamos gritar! :)

    Este poema era mesmo o que eu queria que uma certa rapariga lê-se, que entende-se, e mesmo que eu não fosse correspondida; pelo menos que não perdesse a sua amizade; e que ela nao se afasta-se de mim! :)

    Enfim...

    Adorei a prosa de Guiraut de Borneith. Hei-de procurar mais prosas deste escritor.

    Obrigada, amiga! :)

    Bjs!

    3:13 da tarde  
    Blogger Angell said...

    Wind,
    FP tem poemas lindos e eu identifico-me com muitos deles... :)

    Bjs!

    3:15 da tarde  
    Blogger AR said...

    Boas! Gostei e linkei, espero que não haja problemas...

    7:02 da tarde  
    Blogger Angell said...

    AR,
    Bem vinda! Claro que não há problemas por teres linkado o "Imagine..."! Eu também tenho o teu blog linkado cá em casa! :)

    Bjs!

    8:01 da tarde  

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